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expressões
vermelho
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os bebês choram quando nascem, pois descobrem que estão infectados por humanidade
aquele francês (modificado) -
quanto mais gritar comigo, mais vai perceber que o teu eco é teu conselho, tua presença me faz vivo, mas a cada dia mais estamos nos sentindo distantes.
minha cabeça -
músculo atrofiado
não há nenhum médico nas redondezas que vai poder que isso é alguma patologia existente, mas se houver, eles concordarão que isso tudo pôde somente ser reconhecido como doença se tal paciente não força teu músculo ao máximo.
o tapa que te deram por dentro dos olhos mostra o quão fraco estão seus dedos enquanto procura ler o que escreveu em seu antebraço pra na hora do banho se lembrar.
a tatuagem que antes gravava seu passado, perdia-se no ralo e seu lembrete se tornava memória motora de algo que lhe corroía o sorriso.
gritar sem voz, correr sem fôlego e as repetições já citadas antes, não fariam com que reconhecessem o diagnóstico mais rápido.
o cheiro do treino, o olhar de iniciante saindo do corpo de um ancião da própria batalha mostrava que a força que lhe era dada anteriormente havia se esvaído com a tinta.
o labirinto de tua memória só lhe faria perceber o quão ruim era se perder novamente no escuro de tua mente. a única luz que alcançava era o reflexo de seu brilho interno. a esperança da desistência de sua própria confusão.
seu hálito mantinha o gosto de prática e sua tosse já não era por doença, era por cansaço.
vou lhe mostrar a saída, senhor.
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à cada letra
Chegar e perceber que não se entenderam as linhas anteriores, os complexos e todo
lirismo compreendido nos apelos. É decepcionante pegar areia na mão e perceber que
a anatomia anterior fazia mais jus ao arranjo de cada grupo de moléculas. Notar que o
raio de curvatura da cabeça dos seres humanos é ideal para um afago com a palma e
a passagem entre o queixo e o pescoço encaixa-se um beijo de boa noite.
Eu poderia comparar todas as dimensões do universo e explicar com os desenhos
úteis, porém imaginados dos carinhos perfeitos e inteiramente arquitetados que os
ternos abraços são predestinados.
Entre as pétalas de uma flor de lótus, as linhas criam a bifurcação da escolha e
amadurecem-se somente no brilho mais longínquo dentro dos olhos de quem quer
manter a linha à direita e perceber que a escolha lhe traz ao início como o amanhã ao
ontem.
Mais intensamente que as análises sendo feitas à sangue frio, existe a capacidade
ultrapassar as vontades humanas e mundanas sonhando sem precisar pregar
intensamente os olhos. Basta fechar as pálpebras e sua mente e idealizar aquilo
tudo se solidificando na palma de sua mão, como a rocha que formou a areia.. até
o começo do texto, se tornando líquido como cachoeira e ecoando as frases em
dimensões infinitas e o som gritando o silêncio perturbador de toda sabedoria de
fazer o mundo se tornar um ponto e guardá-lo no bolso, como bijuteria barata.
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embora os calendários contem os dias à frente, saiba que se você os virar, eles só contarão regressivamente os sorrisos e as alegrias dos dias que se foram
o dono dessas frases espirradas por essas páginas -
me abrir infinitas vezes ao dia não me fará resolver seu problema
geladeira -
moço, meu chuveiro chora todo dia
a música que afaga os ouvidos lhe traz o frio e ao mesmo tempo o vazio que está contido em todos os potes de geléia na porta da geladeira.
não há parada de chuva alguma que o fará tirar os pijamas, não há vontade alguma em comer outra coisa senão eternos cafés da manhã.
a configuração do seu mundo só o permite viver todos os dias até antes das onze da manhã. morrendo o sol e recomeçando a rotina de desjejuns com torradas.
o espelho lhe mostra a barba por fazer e os olhos cansados de nunca ter presenciado um pôr do sol, uma noite de quietude, um silêncio às quatro da manhã.
a válvula que cospe as lágrimas quentes no seu cabelo o faz pensar quando seu choro irá tornar parte da água do chuveiro e escoar pelo ralo, achando que isso o faria filtrar toda tristeza azul marinho de seu interior, como separar a água do macarrão - aliás, ele nem sabe o que é um almoço, pobre rapaz.
vá dormir moço, a tristeza não é de seu banheiro, é sua, tente acordar antes de amanhecer o dia e encare que a lua estará lá indo dormir, diferente da sua vontade de viver.
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vômito de palavras
não existem memórias que conseguem transcrever o sentimento de conhecimento do novo, a surpresa sempre existirá, mas somente a primeira vez que conterá a essência dos olhos arregalados.
o ser humano nasceu com a habilidade de reconhecer padrões, mas mesmo assim parece que não entende que seu próprio padrão natural o faz ser emotivo, ser menos racional e quando o cérebro atua no corpo, ele somente manda sinal para bombear mais sangue pro sistema nervoso.
frases ditas perfuram os olhos mais fundo que facas afiadas em pedra, ou acalmam mais que medicamentos próprios.
encontrar um caminho certo pra poder seguir é o mesmo que dizer: saiba que você tem uma vida e suas escolhas fazem de ti uma coisa única. Mas os padrões que não percebemos fazem os caminhos parecerem cada vez mais sinuosos e gastamos mais tempo nos perdendo em nossas mentes do que ouvindo o eco do ambiente.
me desculpe, mas estava aqui só pra ajudar, o problema é que nenhuma ajuda lhe é útil a partir do momento que você só complica seu nexo
não há ligação entre as linhas da coluna, apenas a arquitetura a faz forte. Experimente cuspir seus desejos com mais força, assim eles se agarram à parede pra poder te lembrar o que tanto quis quando olhar àquele mural.
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countdown
o texto cronometrado na emoção das cordas de um instrumento que calmamente sussurra música. as letras que dançam a canção escrita em um guardanapo e que são projetadas pela boca aos poucos.
a intensidade do eco, o grito agudo e afino da voz grossa, o choro que se engole ao fim do refrão.
sinto ondas que partem dos ouvidos, ditando um caminho de sentimentos pelo resto do corpo. eles ainda sabem por onde percorrer, eles ainda sabem por qual beco se espreitar por onde me surpreender, causando o arrepio tão aclamado.
o som se mistura em movimentos brownianos e conseguem alcançar o ponto mais fundo de minh’alma como um gás que percorre um cômodo cheio de “espera pela canção”.
o relógio conta tic, tac, o metrônomo marca a contagem regressiva, cadenciada pelo número de batimentos por minuto e eu ainda tenho que dizer: adeus, time is over.